Autografia

Ricardo Labastier

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Nesta semana, publicamos no Autografia um pouco do olhar e do pensamento inquieto do fotógrafo pernambucano Ricardo Labastier.

Ricardo Labastier

Ricardo Labastier

O que você fotografa?

Acho que fotografo os paradoxos, os equívocos. Pois ao mesmo tempo que fotografo com muito apego ao ato em si, no sentido carnal, romântico e ultrapassado, não necessariamente estou ligado ao que fotografo. Esse apego ultrapassado nada tem relação com pensamentos memorialísticos. Não rola de reparar o irreparável. O irreparável tento transformar em vida. E vida pra mim – desde as claras percepções do que chamamos vida; sempre e sempre esteve ligada à música, a musicalidade das coisas. Sempre e quase triste sempre esteve ligado a fotografia, a fotografia das coisas. Seja pelos becos escuros ou por iluminados lapsos, seja pelas dificuldades, rupes, ou, talvez, pelas circunstâncias abomináveis dos detalhes íntimos. Por isso, nunca me vi longe dos arquivos pessoais e dos possíveis arquivos, súbitos e culpados. O que fotografo são pulsos naturais da minha percepção idiota de mundo. É como o sangue, diário, nutritivo e funéreo. São frequências que me acompanham desde muito juvenil. Não há distâncias entre dores, fogos de artifícios e o que faço. Desconheço a ausência dessas linguagens na minha vida. É como o sangue, que pra mim é a cor vermelha – tão presente no meu trabalho. A cor do sangue é a sombra pálida mais carnavalesca desse planeta.

Ricardo Labastier

Ricardo Labastier

O que você gosta de fotografar?

O que me chama pra tal!

Ricardo Labastier é natural de Olinda, no estado de Pernambuco. Nascido no ano de 1972. Estudou na Escola Superior de Comunicação e Marketing, em Recife. Inicia-se na fotografia aos 17 anos, realizando ensaios fotográficos sobre a religiosidade no sítio histórico da sua cidade de origem. Tem seus primeiros ensaios selecionado para o I Salão Nacional de Fotografia da Paraíba, no ano de 1995.

Desde então atua no cenário nacional da fotografia realizando suas experiências artísticas editoriais, expondo em salões de fotografia no Brasil e no exterior. Tem seus trabalhos nos acervos da Coleção Pirelli/Masp de Fotografia e do MAMAM, entre outras. Em 2013 foi o vencedor do Premio Marc Ferrez de Fotografia 2013.

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