Olhando pra sempre

Podia ficar olhando pra sempre esta foto de Trent Parke

[Baixe este post como um e-book]

Série The 7th Wave | Trent Parke

Série The 7th Wave | Trent Parke

É curioso como tudo o que vivemos deixa em nós tantas marcas, visíveis e invisíveis, evidentes ou obscuras. As nossas experiências, já sabemos, determinam nossa forma de ver e pensar o mundo e desta forma conduzem o nosso olhar. Quando fazemos uma imagem, não raro descobrimos que conscientemente, ou não, ela foi inspirada em alguma outra coisa que já vimos em determinado momento.

Às vezes essa consciência vem como um déjà vu: eu já vi essa imagem antes, mas onde? Essa fotografia de Trent Parke, fotógrafo Australiano membro da Magnum, que muito admiro, me remete a muitas outras imagens, só neste momento consigo lembrar 03 outros fotógrafos que possuem imagens muito parecidas. Mas isso não tira nem um pouco o encanto e prazer que esta imagem me causa, e creio que assim deva ser.

Em um #Diálogo que escrevi aqui para o blog, tratei sobre o clichê e aproveito a deixa deste #Olhando pra sempre para trazer à tona a questão mais uma vez. Somos constantemente inspirados por tudo o que chega até nós, somos influenciados continuamente, temos a tendência de repetir fórmulas, métodos, técnicas, de buscar alcançar em nossas imagens um resultado que vimos em outro trabalho. Isso é fascinante, e não necessariamente clichê.

Mas como é possível diferenciar? A resposta, para mim, é simples e complexa, traduz-se assim que vejo essa fotografia, e acredito nisso porque vendo o trabalho de Parke reconheço a profundidade de seus ensaios (com destaque para a Série The 7th Wave, de onde saiu a imagem em questão), e de sua relação com a fotografia, reconheço a latitude de sua trajetória, de seu potencial criador, a maestria de quem encontrou seu estilo e visualidade. Identificar um clichê vai além de referenciar uma foto na outra, mas de perceber que a imagem carrega consigo sua própria história, a do fotógrafo e, ainda, muitas outras fotografias.

É essa ligação, essa rede, esse novelo que são mágicos. Gosto da sensação de, ao ver uma imagem, recordar-me de outra. Uma foto puxa outra, que puxa outra, que puxa ainda outra e assim sucessivamente, até que chego a uma imagem completamente diferente e recomeça a magia!

Share Button

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *