Olhando pra sempre

Podia ficar olhando pra sempre essa foto de Mario Cravo Neto

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Mario Cravo Neto

As fotos de Mario Cravo Neto sempre me inquietaram… O jeito de falar sobre religião e violência e, especialmente, sobre a raça negra, se colocam diante de mim de uma forma inteira, sem espaços para discursos piedosos.

Esse pássaro branco, amordaçado por uma pessoa negra, que olha através do outro e que só deixa o outro ser visto, conhecido, através de si mesmo, me fala abertamente sobre o racismo. E me parece que não tenta velar o que está nas ruas, nas escolas, nos ônibus e em qualquer lugar, desde que a gente tenha olhos para ver.

Essa ave branca, que fala pelo outro, também me conta de rituais antigos, também me fala da doçura, da força e do poder da vida-morte-vida dos ancentrais.

Eu podia ficar olhando pra sempre esse jeito de falar do candomblé, de falar da dor e da injustiça, de falar que nós também somos agentes de tudo o que nos acontece.

Eu podia ficar olhando pra sempre esse jeito de erguer a cabeça e dizer: é assim que eu sou!

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Comentários

  1. Val… olha que coisa… eu estou trabalhando meu solo com mais umas meninas… num exercício, demos para uma dupla algum material sobre o qual iríamos improvisar. A outra pessoa, pesquisaria algo pra você e te traria de surpresa, para você somar à improvisação. Eu dei para minha dupla fotos do Rodrigo Braga… minha dupla me trouxe fotos do Mario Cravo Neto… Foi uma improvisação visceral, animal, intensa… Vou procurar imagens do Mario no google… acho essa, da onde veio? Do seu blog!! Onde também há uma foto do Rodrigo… E essa, foi você que postou! Enfim. Precisamos mesmo conversar… e um dia fazer mesmo algo juntas… Sua. Carol.

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