Olhando pra sempre

Podia ficar olhando pra sempre essa foto de Ana Lira

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Ana Lira

Hoje eu poderia ficar olhando pra sempre o afeto, ou as memórias afetivas. Poderia ficar olhando o conforto das imagens que sempre conversam comigo, como aquele amigo distante que volta cheio de intimidade renovada.

Hoje eu poderia ficar olhando pra sempre essa foto de Ana Lira, porque pra sempre sou apresentada a uma Porto Alegre minha e misteriosa, como se o Guaíba fosse seu avesso, seu duplo e mostrasse horizontes invisíveis.

São os invisíveis de uma cidade que me tocam. Eles me movem, me comovem e me questionam, às vezes me respondem mas, quase sempre, me viram do avesso.

Em algumas cidades sou abraçada e acolhida, em outras afirmo minha condição de estrangeira. E com elas, tenho minhas fantasias, minhas brincadeiras escondidas.

Essa foto é como uma abertura no tempo, no tempo afetivo de uma cidade fantasiada entre a prosa e a poesia, entre as pessoas que fazem a tapeçaria da minha vida.

Como se eu pegasse a canoa e fosse com ela até a terceira margem do rio, como se do Guaíba, eu olhasse com um sorriso cúmplice para a cidade que me fez outra.

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