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Fredi Kleemann

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Calcida Becker no espetáculo A Dama das Camélias | Fredi Kleemann – 1951

Sossegai, senhor: acabaram-se os nossos folguedos. Esses atores como já disse, eram todos eles espíritos incorpóreos: em ar impalpável se dissolveram.

William Shakespeare, em A Tempestade

Muito pouco, ou quase nada, eu falei aqui sobre fotografia de espetáculo, apesar de quase todo meu trabalho ser com fotografia de palco. Para mim, entrar num teatro é algo meio mágico, é como se eu entrasse num mundo paralelo, mas não menos real do que o mundo que existe fora dele. É puro encantamento.
E foi esse encantamento que me levou a conhecer as fotografias de Fredi Kleemann, sem dúvida um dos mais importantes trabalhos de fotografia de palco já realizados no nosso país.

Beatriz Segall no espetáculo Os Inimigos | Fredi Kleemann – 1966

Nascido na Alemanha, Kleemann chegou no Brasil em 1933. Foi funcionário da Fotóptica, participou do Foto Cine Clube Bandeirante e fez parte da equipe, como ator coadjuvante,  do Teatro Brasileiro de Comédia (que se tornou revolucionário pela inovação na forma de interpretar dos atores e na montagem dos espetáculos), onde foi descoberto como fotógrafo pelo diretor da companhia, que o contratou para fazer as fotos de divulgação e de registro dos espetáculos.
Kleemann acabou se afirmando como fotógrafo especializado em teatro, possivelmente o primeiro fotógrafo regular de uma companhia teatral brasileira, mas continuou a ser ator até o fim de sua vida.

Célia Biar, Paulo Autran e Tônia Carreiro no espetáculo Uma Mulher do Outro Mundo | Fredi Kleeman – 1954

Suas imagens registraram os cenários, os figurinos e os personagens, com um olhar de quem conhecia as cochias e o palco. E acredito que não seria exagero dizer que suas fotografias revelam uma parte importante da história do teatro brasileiro, pois elas constituem uma relevante documentação sobre o período de 1949 a 1973.
Nessa época, seu trabalho como fotógrafo passou a ser reconhecido e Kleemann recebeu prêmios nos salões internacionais de Nova York, Montreal, Buenos Aires e São Paulo. Em 1952, foi o primeiro sul-americano a ser premiado pelo Salão Internacional de Paris. Também foi convidado a ser fotógrafo da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, sendo responsável pelos stills dos filmes lançados pelo estúdio.

Dina Sfat no espetáculo O Rei da Vela | Fredi Kleeman – 1967

Hoje, seu acervo de 12 mil negativos faz parte da Divisão de Pesquisas do Centro Cultural São Paulo (CCSP) e está aberto ao público. O CCSP disponibiliza para download o número dedicado ao fotógrafo da Coleção Cadernos de Pesquisa, onde constam ensaios fotógraficos, estudos de iluminação, bonecos para divulgação e fotos de familiares e amigos.

Raul Cortez em Hoje é dia de Rock – última peça fotografada por Fredi Kleemann – 1973

O crítico de teatro Décio de Almeida Prado, no livro Foto em Cena, com fotografias de Fredi Kleemann, apresenta um olhar bastante interessante sobre o trabalho de Kleemann:
Perdoem-me, portanto, se volto teimosamente, como numa obsessão, a essas criaturas de palco, meio irreais em sua tão forte realidade. Porque Fredi Kleemann retratou sobretudo, personagens, não pessoas físicas.

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Comentários

  1. Olá!
    gostei muito do seu artigo. Eu mesmo estou inicando em fotografia de palco e estou fazendo uma pesquisa sobre a história da fotografia de teatro no brasil. Eu gostaria de saber quais as suas fontes de pesquisa em cima do Kleeman? (eu só conheço o livro “Foto em Cena” e eu gostaria de saber se existem outros registros sobre ele…)
    Muito obrigado!

    1. Olá Michel,

      O Acervo do Fredi está no Centro Cultural São Paulo, mais especificamente no Arquivo Multimeios. É só ligar lá e agendar uma visita

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