7Pergunta

Igo Bione

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No próximo dia 10 de maio começará o Workshop Poéticas da Luz:  Interpretação e prática de iluminação na fotografia, que será ministrado pelo fotógrafo recifense Igo Bione,  do Jornal do Commércio,  com produção do 7. O curso busca oferecer uma oportunidade de expandir as formas de percepção da iluminação na fotografia.  A ideia é explorar as potencialidades da luz a fim de trabalhá-la como instrumento de construção de imagens e discursos. Aproveitamos o ensejo e convidamos Bione para conversar conosco, participar do 7Pergunta, e contar um pouco sobre sua relação com a fotografia, a luz e sobre o workshop.

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Igo Bione

7: Como foi o teu processo de descoberta da importância de se pensar a luz na fotografia? Quando e como você percebeu a necessidade de entrar mais a fundo nesse universo?

IB: Quando eu comecei a fotografar, minhas preocupações estavam voltadas mais para os princípios de velocidade e de abertura do diafragma. Aos poucos, percebi que eu tinha uma preocupação com a luz ideal para cada imagem. E nesse processo, passei a usar intuitivamente referências da minha vida, experiências que vivenciei e memórias marcantes. É como se, através da fotografia, eu ganhasse a chance de procurar vestígios de tudo o que já vivi. A minha relação com a luz é fruto disso. Eis um exemplo: se alguma imagem de pescador na beira do rio ficou registrada nas minhas lembranças, certamente usarei elementos dessa mesma imagem, incluindo composição, luz e enquadramento, em outras novas situações que permitam um cenário e uma ambientação semelhantes para reorganizar formas visuais que expressem novos significados.

7: Fotografia é luz, está na própria etimologia da palavra, é sua natureza e razão de ser. O que significa então pensar a luz na fotografia diante de sua inerente presença?

IB: Diante desse contexto, é preciso considerar que existem a luz ambiente e a luz principal. Esta última pode ter o poder de transformar uma pessoa, um objeto ou um cenário num elemento de destaque na imagem. Ao fotografar, precisamos harmonizar esses dois tipos de luzes, que podem ter intensidades diferentes de acordo com a ocasião e a hora do dia. É dessa forma que podemos recorrer à luz para utilizar a atmosfera que desejos transmitir na imagem. Além disso, a composição, com enquadramento e ângulo, precisa estar apropriada para o tipo de luz. A luz de um determinado momento deve se alinhar a esse contexto.

Homem Gelo | Igo Bione

Homem Gelo

 

Igo Bione

7: A luz sempre foi um aspecto bastante observado e explorado nas artes plásticas, principalmente a pintura. Na sua opinião, qual o papel da luz na fotografia?

IB: Sempre tive, na fotografia, a pintura como referência. É uma referência erudita que passa pelo barroco e pelo renascimento. São épocas em que se pensava no modo de construir uma imagem e de pensar nela de uma forma muito peculiar. A minha fotografia tem muito esse ritmo de proporções e tudo bem composto, com elementos organizados. Isso que me fascina vem muito da pintura dessas épocas em que a luz ocupa um lugar de destaque.

7: Você trabalha como fotojornalista, uma atividade em que a fotografia está muito relacionada à rapidez. Como você trabalha a sua luz no universo de bastante demanda de pautas do dia a dia de um jornal?

IB: O diferencial do fotojornalismo é que, através dele, passamos a exercitar um raciocínio muito rápido. É justamente por causa disso que precisamos recorrer a muitas referências próprias, de repertório mesmo, além de estarmos afinados com lembranças e até sentimentos. Nesse conjunto, entra ainda a luz para compor uma imagem. E é complicado fazer isso no tempo curto que o jornal requer. Com o passar do tempo, é possível adquirir experiência para aplicar a luz nesse dia a dia. Ainda é preciso considerar que, no fotojornalismo, uma série de princípios cria uma boa fotografia, especialmente o enquadrar e compor. A luz dá o toque final.

7: Como abrir espaço para a autoria durante o processo de produção intensa e pautada do fotojornalismo cotidiano? Você faz essa distinção?

IB: Não é uma tarefa fácil devido à correria do jornal. Essa rapidez exige um processo para que tudo flua mais rápido: luz, composição e enquadramento. Em algumas pautas, conseguimos ter a oportunidade de pensar melhor na luz, com mais calma. Então, devemos aproveitar essa chance para deixar de lado o corre-corre do jornal. E não é só isso: temos a tarefa de pensar no assunto da pauta mais produzida e ter a habilidade para transmitir um clima leve ou pesado de acordo com a luz. E tudo isso ainda tem que casar com o texto do jornal impresso.

7:Este pretende ser um workshop teórico e prático. Conte nos um pouco do que poderemos esperar deste curso.

IB: Claro que teremos essas duas partes. A teoria vai surgir da conversa entre os alunos, a partir dos pensamentos, das ideias e das referências de cada um. Vou aliar todo esse diálogo a uma teoria e, em seguida, partir para a prática fotográfica. Dessa forma, será possível o aluno perceber que suas experiências podem fazer com que ele enxergue a luz de uma forma peculiar, intuitiva, afetiva. Haverá ainda práticas de flash, luz contínua e de luz natural – e de como é possível trabalhar com ambos elementos em conjunto.

7: Você já ofereceu este workshop antes. Então, já tem experiência e aprendizado no traquejo em sala de aula. O que muda a cada curso oferecido? O que você, como professor/orientador, também aprende a cada oportunidade dessas?

IB: Cada experiência com aulas, por mais parecida que seja, é diferente e sempre chega para acrescentar algo. Sempre tem elementos novos que incrementam os planos de aula e sempre haverá alunos novos que compartilham vivências que proporcionam um bom aprendizado. É essa troca de experiências que faz cada curso diferente e especial. Esse intercâmbio de ideias faz a turma perceber que, para chegarmos à fotografia, precisamos não só de exemplos técnicos e metódicos, mas também de um repertório de vivências e até de afetividade.

 

Igo Bione

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Sobre o Workshop
Poéticas da luz: interpretação e prática de iluminação na fotografia
Dias 10, 17, 25, 31 de maio e 07 de junho
Das 09h às 12h e das 14h às 18hs (carga horária de 35h)
No Museu da Cidade do Recife – Forte das Cinco Pontas
R$ 800 ou 2x R$420
Informações e inscrições: contato@7fotografia.com.br

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