Diálogo

Comentários

  1. Oi Joana, importante o seu Diálogo. Recentemente revi um filme que gosto bastante chamado Bagda Café. No filme uma personagem vai se despindo aos poucos aos olhos de um pintor. Jasmim já é uma senhora, está completamente fora dos padrões sociais que ditam (ou ao menos tentam) o que é uma mulher e o que é uma mulher bonita. E uma mulher bonita recebe a permissão da nudez. No entanto as questões em relação a beleza já mudaram tanto, não? E em relação a nudez também. Estas fotos de uma maneira ou outra nos servem enquanto questionamento a respeito do nosso olhar sobre o nú feminino. Especialmente, ao meu ver, quando os corpos negros são fotografados, confesso que sinto falta dessa diversidade que somos nós em algumas propostas artísticas. Que associação fazemos entre nudez, beleza e liberdade? Mostram-se os peitos e a liberdade nem sempre segue como acompanhante, a liberdade é uma conquista diária e sem fim. Atentar para uma classificação, um julgamento, de uma imagem tão natural e comum como uma fotografia de uma mulher sem roupas, já é um bom começo. Sobre a Orlan é uma grande artista. E a obra dela é valiosa em si independente das sensações e/ou questionamentos provocados. Rasga fundo as entranhas num despudor, numa “deseducação” ancestral. Ela transcende questões de gênero com originalidade.
    O corpo é um pertencimento até o último momento.

    1. Vivi, muito importante tudo o que você disse, e essa fala “Mostram-se os peitos e a liberdade nem sempre segue como acompanhante” faz um bom resumo de tudo. O que percebo é que todas essas questões têm mudado muito: o conceito de beleza, o feminino, a liberdade, a individualidade da mulher, o feminismo, tudo. Mas ao mesmo tempo me parece que nada mudou tanto assim. Escrevi o texto na esperança de chamar a atenção para esse contexto que nós vivemos, qualquer eco em direção a isso que o texto venha incentivar já é um resultado importante para mim. Discursar também é colocar-se de peito aberto :)

  2. Ótimo texto, gostei da abordagem pelo aspecto do nu não só pela beleza, mas pelo que contém de liberdade inclusive para revelar o “feio”. Afinal, nada mais humano do que o nu!

    Um abço.

    1. Xu, boa dica! Fernanda esteve aqui na Semana de Fotografia e o trabalho dela também me tocou muito. Até pensei em citá-la no texto inicialmente porque o que ela discute se encaixa muito na nossa discussão, mas acabei caminhando por um outro lado. Boa lembrança! :*

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