Diálogo

Comentários

  1. às vezes queremos discrição. às vezes queremos qualidade ergonômica; carregar bem menos volume e peso. às vezes queremos simplesmente brincar de fotografar. normal. por essas e outras razões, toda a praticidade difundida pelas câmeras fotográficas digitais e iphones da vida é maravilhosa, veio muito a calhar. acho curioso, porém, pessoas encararem essa nova prática como “o futuro” da fotografia. isso é uma coisa chata relacionada à tecnologia: pensar que o novo é iminentemente velho. será? a “iphonografia” inaugura um novo momento, um novo limite para a produção de imagens, mas é um produto específico, feito para atender a uma demanda específica (que pode ser motivada pela mais sincera necessidade ou, não raro, por questões meramente mercadológicas). não pode nem deve ser vista como algo que vai substituir práticas anteriores. definir se usaremos equipamentos analógicos ou digitais, câmeras DSLR ou iphone… acho que tudo depende do propósito e do processo de criação.

    achei legal você mencionar esse incômodo da galera do paraty em foco com fotos de janelas, bicicletas… tipo, nada contra janelas e bicicletas, mas acho válido observar que hoje vivemos não apenas o apogeu da reprodutibilidade técnica (com walter benjamin se revirando no túmulo), mas também a padronização, o engessamento dessa reprodução, ou seja, grandes grupos reproduzem objetos e, mais que isso, reproduzem quase sempre os mesmos objetos.

    isso é muito sério, na minha opinião. é a era da iconofagia (o livro de mesmo nome, de norval baitello júnior, é massa): você reproduz as imagens que consome, não as imagens que vê de fato. acredito que um comportamento iconofágico é oportuno quando estamos iniciando na fotografia (é comum praticarmos reproduzindo fotos que nos influenciam de alguma forma). mas a partir de um determinado momento isso só reflete despreparo visual; uma prova de que nem todo mundo desenvolve o hábito de pensar imagens, refletir sobre elas e a partir delas, fazer releituras, desconstruções.

    as pessoas não tem a obrigação de buscar sempre originalidade e profundidade na produção fotográfica. às vezes queremos apenas brincar. mas acho importante equilibrar, alternar esses dois momentos, porque imagens interferem nas nossas decisões mais do que imaginamos… e o mundo inteiro precisa ter real consciência disso.

    1. poisé, Chico, é bem isso mesmo! só acho que vislumbrar algo como “o futuro da fotografia” não é necessariamente pensar que o velho está em desuso. já temos a noção de que esses discursos escatológicos, na verdade, acompanham certos interesses de empresas e de que, as novidades estão aí para conviver de forma diferenciada com as práticas antigas. o caso é que o iphone veio para ficar até na fotografia e não se propõe como um substituto de nada mesmo.

  2. Joana, se eu fosse você depois dessa eu acho que não hesitaria em vestir uma camiseta do tipo “seu Mário rules”! =P
    De qualquer forma não vou negar que eu também adoraria ter iPhone, pra usar o Instagram e algum site que fizesse uso do GPS pra saber dos meus amigos que estivessem por perto (provavelmente o Google Latitude).

    E, realmente não tenho nada substancial a acrescentar aqui: você e o Chico Peixoto já destrincharam a questão acho que bem satisfatoriamente. Ou talvez seja minha cabeça pós-almoço que não consegue filosofar agora sobre isso, vai saber!

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