Autografia

Pedro Fonseca

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Entre as postagens especiais de lançamento do site, convidamos o escritor Pedro Fonseca para responder às duas perguntinhas clássicas que nos motivam a pensar a fotografia nessa seção. Como não poderia deixar de ser, Pedro abriu os nossos olhos  e nos mostrou uma forma delicada e especial de ver a vida que, apesar de rotina, nunca se repete e sempre é capaz de nos maravilhar.

Pedro Fonseca

Pedro Fonseca

O que você fotografa?

Como bom não-fotógrafo, procuro nos clichês do cotidiano um baú de memórias que eu possa preencher. Um desvio dos lapsos. Nesse universo, meu, acabo me deparando constantemente com minha família, o núcleo próximo, mais importante: minha esposa, meu filho mais velho, minha filha do meio, minha filha que ainda está na barriga (ao menos enquanto escrevo esse texto, já que a qualquer momento ela pode nascer –e, assim, virar mais uma imagem linda no meu baú). Fotografar a família acabou se tornando, também, uma maneira de me clicar. Vejo, no rosto de cada um deles, a mim mesmo. E nesses autorretratos, sempre saio bem.

Pedro Fonseca

Pedro Fonseca

O que você gosta de fotografar?

Busco palavras. Nem sempre encontro, mas busco. Provavelmente por ter vindo daí, da escrita (e não da fotografia), minha obsessão acaba sendo a de clicar e, depois, achar a palavra, o verbo, o parágrafo, o discurso que justifica, ao menos para mim, a existência daquela imagem. Na calçada perto de casa, achei a palavra velhinha. Na viagem recente a Londres, achei a palavra pressa, em rostos. No meu filho mais velho, dia desses, a frase-pergunta “com quem pareço mais?”. Essa busca pela palavra tem sido minha grande diversão quando pego a câmera e vejo, diante de mim, páginas em branco.

Pedro Fonseca é pai de Irene e João. Para eles, escreve o blog doseupai.com contando histórias e mostrando fotografias do dia a dia familiar em que ele vivencia o crescimento das crianças. Escritor, publicou o primeiro livro, “Língua do P”, em 2007. Hoje, mantém  também o blog Loja de Histórias,  que ele mesmo define como “Uma loja de trocas. Você manda uma foto. Eu escrevo um texto ficcional sobre ela”.

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