Autografia

Jul Sousa

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Quem responde às perguntas do Autografia desta semana é Jul Sousa, artista visual brasiliense que vive em Maceió-AL.

O que você fotografa?

Passei muito tempo pensando o que responder, tentando me [re]descobrir e procurando “acertar” a resposta. Poderia responder que eu fotografo o que vejo, mas seria muito óbvio. Posso dizer que fotografo corpos, mas isso seria a resposta da próxima pergunta. Então, como admiradora de Bavcar (ele é fotógrafo e deficiente visual), acredito no sentir das coisas, não que eu precise tocá-las como Bavcar para isso. Mas creio num sentir na forma de pôr para fora imagens e emoções interiores. Fotografando, tento sentir o que se passa na atmosfera das coisas, desejar as paisagens, pessoas, para daí, então, provocar meus sentidos e tentar comunicar-me com os outros e comigo mesma, afinal, estou a me [re]descobrir e, como diria Bavcar: é preciso tentar existir por si mesmo.

Jul (21)

O que você gosta de fotografar?

Além de fotografar o que sinto, três vertentes me chamam a atenção. Gosto de fotografar o abstrato — para fugir um pouco dessa coisa chata do mundo, o minimalismo que sempre me conduziu nas artes visuais e algo que eu gostaria de viver com mais frequência, algo que me cabe como um pulverizador do desconforto social — o nu. Seja erótico ou orgânico, quando fotografo corpos que vejo, a transparência somática liberta de qualquer “prisão”, isso me envolve de tal forma que, ao ver essa sinceridade desnuda no outro, acabo por me libertar também.

É como se essa “ausência de limites” entre mim e outra pessoa transcendesse o pensamento e eu pudesse apreciar e vivenciar (às vezes até mostrar) aquilo sem me preocupar com uma sociedade incomodada, que na maior parte das vezes associa a nudez ao prazer sexual. Inconscientemente ou conscientemente mesmo, acabo fundindo essas três vertentes em um só “corpo”.

Fotos ensaio_Jul-02

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Jul Sousa é artista visual, nasceu em Brasília e reside em Maceió. Graduada em Comunicação Social, autora da exposição individual intitulada Febre, releitura da obra Fantasia e avesso, da escritora Arriete Vilela. Participou da Mostra de Trabalhos fotográficos durante o V Theoria, com videoarte Febre. Integra o Coletivo Vê, onde trabalha com imagens e iniciativas de difusão de conhecimento em artes visuais.

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Comentários

  1. Olá,

    Encontrei este blog fazendo uma busca no Google.E gostei muito deste depoimento do porquê e o que fotografa. É realmente isso que faz a paixão dos fotógrafos. Me considero um explorador numa grande ilha perdida no pacífico munido de minha cara procurando animais exóticos. No meio da cidade que é onde moro, consigo flagrar falcões, águias, canários, joão de barros, garças, corvos e morcegos sobrevoando e fazendo revoadas em cima dos prédios. E quando resolvem pousar consigo clica-los. Não é um Hobby, e nem foi minha pretensão em achar estes pequenos no meio desta selva urbana, mas acabou virando uma parte de um projeto.

    Continuem com este bom trabalho, vou passar este blog pois dedico meu tempo na administração do dia-a-dia, mas tenho meu lado artístico que também uso neste meio. Excelente.

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