Mesa7

Abertura da Exposição Cromosoma X, do Coletivo las Niñas, encerrando o Mesa7

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Neste sábado (20/02), abrimos a exposição “Cromosoma X” (em espanhol), do coletivo feminista chileno Las Niñas. Dialogando com as pautas feministas imprescindíveis e em foco desde as últimas manifestações de mulheres contra o machismo, conhecidas como a Primavera das Mulheres, a abertura será toda dedicada ao protagonismo de artistas mulheres cujas atuações nas áreas da música, da poesia e da ilustração têm modificado campos majoritariamente ocupados por homens. A abertura da exposição acontece na Casa da Rua (Rua Dona Ada Vieira, 112 – Casa Forte – Recife), produzida pelo 7Fotografia, com o financiamento do Funcultura,  e realizada em parceria com a Art.Monta Design, a Casa da Rua e o ADI – Atelier de Impressão (Recife).

O ensaio ”Cromosoma X” foi selecionado para esta exposição dentre vários trabalhos incríveis inscritos para a Projeção do nosso último Mesa7, que aconteceu no dia 12 de dezembro de 2015, e foi uma grata surpresa receber este trabalho e selecioná-lo para a premiação que culmina na exposição que abrimos no próximo dia 20. Para nós é fundamental trazer ao debate questões sobre o protagonismo e a representação da mulher na fotografia, especialmente dentro da temática que abordamos neste Mesa7: Política do Sensível.

A exposição problematiza a mulher hoje, como construção cultural que está submetida a opressões de identidade, comportamento, mas que também reside uma potencialidade individual e política para a reafirmação das memórias, dos desejos, das suas histórias, de sua existência. A exposição traz imagens fotografadas por Pilar Diaz, Jocelyne Rodríguez, Marcela Bruna e Macarena Peñaloza, em quatro ensaios que discutem os estereótipos que submetem as mulheres em seu dia a dia, a memória e a identidade entre as tentativas de subverter os contextos de opressão cotidiana, a posse da mulher sob o seu próprio corpo e a luta pelo direito à saúde e a sexualidade como tema demonizado e silenciado.

“Uma boa forma de entender essa exposição é fazer o paralelo com as fotomontagens. A mulher, conceitualmente falando, como a conhecemos, é uma fotomontagem. Ela não existe. Ela não tem espaço de fala. A sociedade criou e mantém diversas expectativas culturais em torno do que seria ‘ser’ mulher, se comportar como tal”, afirma Isabella Valle, fotógrafa do coletivo 7Fotografia. “Esse trabalho caminha sintonizado com diversas iniciativas recentes de nos levar à visibilidade da mulher, de fazer entender que ela tem existência legítima”, completa.

A abertura da exposição, no entanto, não encerra a ação de protagonismo e visibilidade da produção artística de mulheres no Recife e em articulação com outras cidade. No sábado, o evento estará promovendo o trabalho de outras moças engajadas na fala sobre os processos criativos femininos. “Dar visibilidade a trabalhos de outras mulheres é uma ação estratégica porque sabemos que os espaços do mercado artístico cultural ainda são muito protagonizados por homens”, comenta Maíra Gamarra, membro do coletivo 7Fotografia e uma das realizadoras do evento. “Abrimos esse espaço para conhecer o trabalho de outras que estão no Recife ou dialogam com a arte e a cultura local”, completa.

No sábado, o evento começará às 16h com o Nanquimparede, uma intervenção da artista visual Nathália Queiroz. A poesia será representada por Mariana de Matos, poeta mineira, que trabalha processos entre poesia, intervenção urbana e mediação. No campo da música, a Casa da Rua receberá às 20h a apresentação da percussionista olindense Aishá Lourenço. “Aishá é uma musicista que que já tocou com Comadre Fulôzinha, Nitin Sawnneye-UK, Amadou e Marian – Mali, Grupo Bongar e Naná Vasconcelos. A arte dela e de Nathália Queiroz representam a multiplicidade de contextos em que as mulheres têm trabalhado, em áreas que predominantemente são dominadas por homens”, completa Joana Pires, membro do 7 e realizadora do evento na Casa da Rua. “Nosso objetivo é articular esses trabalhos com outras mulheres do Recife e de fora, a exemplo de Mariana de Matos e conhecermos os trabalhos umas das outras”, reforça Joana. Além das artistas citadas, o evento vai contar com a presença-performance do Vaca Profana, grupo comandado pela produtora cultural Dandara Pagu, que saiu em bloco no Carnaval de Olinda pautando a relação que a sociedade tem com o corpo feminino. Para encerrar a programação, Pri Buhr completa a trilha sonora do sábado comandando as pick-ups.

Cromosoma X – Cromosoma X é uma exposição de ensaios fotográficos que abordam questões como identidade, estereótipo, autonomia, sexualidade dentro de um contexto que compreende, muitas vezes, o corpo da mulher como espaço de inscrição cultural e opressão. O coletivo Las Niñas foi criado em 2012 e é composto pelas fotógrafas Jocelyne Rodríguez Droguett, Macarena Peñaloza Villarroel, Marcela Bruna Castro e Pilar Diaz. Desde sua formação, o grupo se reúne regularmente para falar sobre fotografia e para desenvolver projetos com foco em temática feminista. “Trabalhar como coletivo nos permite fortalecer nosso espaço e nosso meio, através de diversas metodologias de trabalho, que abrangem desde o desenvolvimento de projetos fotográficos até a realização de encontros de fotografia”. Las Niñas abriu um espaço de reflexão sobre a posição histórica e atual que a mulher ocupa na fotografia chilena, dando visibilidade ao tema em iniciativas como o FOCOM – Primer Festival de Mujeres Fotógrafas, realizado em 2013.

Serviço:

Abertura da exposição Cromosoma X, do Coletivo Las Niñas
16h às 22h na Casa da Rua (Rua Dona Ada Vieira, 112 – Casa Forte)
Intervenção artística com Nathalia Queiroz, mediação poética com Mariana de Matos, performance com Vaca Profana, DJ Pri Buhr.
20h – Show de Aishá Lourenço
Entrada gratuita

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