Especial

7Aniversário – Dedicatória a Isabella

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Joana Pires

Joana Pires

Isabella, Uma vez escrevi num pedaço de papel usado que as bordas das imagens/objetos é que dão sentido, tornam os objetos reais, criam dimensão de existência. A ideia me surgiu diante das fotos de trabalho de um amigo, que me marcaram para todas as minhas tentativas de ser fotografia. Ali, toquei a dimensão das coisas que existem apenas no nosso juízo, no universo que inventamos para ter possibilidade de ser. Assim entendi que as bordas das imagens são como as linhas cartográficas e as fronteiras: nos territorializam.

Daí que pensando em você e em mim, nessa dedicatória mal-traçada e nessa foto mal-fotografada, entendi que nós, mulheres que somos, somos cheias de bordas, que nos dão dimensão do que é ser mulher. Nem sempre uma dimensão boa, às vezes uma dimensão de irrealidade mesmo. Do que devemos ser.

Somos cheias de bordas que às vezes precisam ser transpostas e trespassadas. E todo dia são. Pois te digo que essas bordas que você suprime, borra e apaga é que te definem pelo que você não é e que nenhuma fotografia minha poderia refazer. Você, que não é pouca, e não é igual a nada, é o que entendo como mais autêntico que eu possa conhecer – e lembro sempre, sozinha, quando penso ou digo isso a outras pessoas, que esse sonho de ser real/autêntico, que (dizem!) seria o grande sonho da fotografia, quase ninguém consegue realizar. Mas você consegue. Ao custo de parecer que não existe.  Bella, é no meio desse parecimento que tu me dá dimensão de quem sou. Das mulheres que me acompanham e que me fazem ter força para acreditar que o mundo há de ser construído, há de ser criado.

Assim como as fotografias.

 

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